sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Sobre desenvolver seu estilo e compras inteligentes!

Amanhã participarei de um bazar promovido por uma amiga. Será um evento privado para poucas pessoas. O objetivo é que todo mundo junte roupas e acessórios que estão em boas condições mas que andam esquecidos no fundo do armário, por várias razões. Podem ser roupas que não servem, que compramos e não usamos, ou usamos muito pouco, e o mesmo princípio vale para os acessórios.

Sabe aquelas maquiagens "básicas" e super "essenciais"?
 Eu achei a ideia muito interessante, hoje separei várias peças de roupas, acessórios, e maquiagens que ou foram usadas uma vez ou apenas testadas. Já faz alguns anos que tenho evitado acumular roupas. Nem sempre foi assim, por uma parte significativa da minha vida eu guardava sapatos e roupas que não me serviam mais,  fisicamente ou psicologicamente, por puro apego. Achava que algum dia poderiam ser úteis, que viria a precisar de tais peças. Mas olhando agora em retrospecto posso afirmar que nenhuma peça ou acessório que eu tenha passado mais de dois anos sem usar poderia ser útil.  Se uma peça está guardada a tanto tempo é bem grande a chance dela representar um apego emocional ao invés de ser uma utilidade na nossa vida.

Roupa de trabalho de alguns é a de festa de outros, é relativo.
Podemos dividir as roupas que guardamos no nosso armário em  3 tipos:
  • Aquelas que precisamos e usamos com frequência em função da nossa rotina. São nosso uniforme, podem roupas sociais para um emprego formal, podem ser roupas confortáveis para funções mais informais onde o conforto é mais importante. Todo mundo tem um conjunto de roupas cuja função primordial é compor o visual da rotina, seja ela qual for, com a necessidade específica de cada pessoa.
  • Roupas para ocasiões especiais. Em geral não precisamos de muitas peças desta natureza, ou pelo menos precisamos de menos peças para ocasiões especiais do que aquela quantidade destinada à rotina. Podem ser roupas de festa, roupas para sair a noite, roupas para ir à igreja. As roupas de festa podem ser mais formais, de gala,  ou esporte fino. As roupas para sair a noite podem contemplar aqueles estilos com a finalidade específica de chamar a atenção na "balada", não são roupas que usualmente você usaria para ir ao supermercado.
  • Roupas para o lazer e para ficar em casa. Nesta categoria entram pijamas e roupas de clube.

Gente que é cosplay no dia a dia.
 Mas existem peças que oferecem um risco enorme de se tornarem um desperdício. São aquelas que compramos não porque elas se encaixam em uma das categorias práticas acima, mas porque elas viriam a satisfazer demandas de outra ordem: as peças de fundo emocional.

Dia a dia ideal, quem nunca?
 Peças que não servem mais, mas que um dia "irão servir", sabe aquela calça jeans menor? Então. Sabe aquele vestido de festa incrível? Ele seria mais incrível se você já não tivesse outros 15 no armários, e tivesse ido a menos de 3 festas no último ano. Muitas vezes compramos mais roupas para a vida que queremos ter do que para a vida que temos, e terminamos com um armário incrível para ocasiões que frequentamos pouco, enquanto repetimos até desmanchar certas peças no dia a dia. É uma questão de equilíbrio. O guarda roupa deve ser um reflexo das suas necessidades práticas, e não emocionais. É claro que peças de fundo emocional existirão no nosso armário, mas é ideal que elas tenham seu espaço, que não sejam a maioria, e que tenhamos consciência do que elas representam. Senão você corre o risco de ter guarda roupa bem legal mas andar como mendiga no dia a dia. Eu sei bem como é porque já passei por isso.

Roupas e make legais, mas guardados...
  Sabe aquela blusa/saia/vestido/batom/colar que ficou incrível na colega/amiga/moça da novela e que você compra mesmo sabendo que não costuma usar nada parecido? A chance desta peça ser incorporada ao seu guarda roupa é quase nula. Porque se você tivesse gostado dela porque ela combina com você o fato da fulana ter ficado bonita com aquilo não te pareceria tão importante. É claro que usamos as imagens das outras pessoas como referência, fazemos isso o tempo todo com as colegas/amigas/atrizes.Mas pense bem quando estiver comprando, vc está comprando porque isso combina com você ou porque estava bonito na fulana e você quer ficar bonita também? Faz toda a diferença, afinal a peça tem que combinar com você, com as suas especificidades, com seu estilo e suas cores. Já investi em maquiagens lindas, festivas, mas que se tivesse sido investimentos em peças mais básicas, condizentes com meu estilo, certamente teriam tido melhor custo benefício.

Não se deixe levar pelo que está exposto na loja...
Ter menos pode ser mais se significar que as peças serão mais usadas. Um batom de 80 reais que for usado até o final terá saído mais barato que um batom de 8 que foi usado só uma vez. É possível inclusive calcular este custo benefício dividindo o preço da peça pelo número de usos. Uma calça jeans boa de 200 reais que for usada pelo menos 60 vezes ao longo de um ano cada vez que você usar terá custado 3,33 reais. Por outro lado aquela blusinha de pano ruim que você pagou 10 reais e que não durará duas lavagens na máquina de lavar, terá custado por duas utilizações 5 reais a cada vez. O que saiu caro aqui? Eu pessoalmente acho uma calça de 200 reais cara, mas me parece que o "espírito da coisa" permanece. Se a peça é boa e o custo dela se levando em conta o número de vezes em que será usada for baixo, é um "caro que sai barato" como dizem por aí. E o contrário é verdadeiro, tem barato que sai caro.
Ou também use suas roupas phenas no dia a dia, nunca se sabe...
Se você tem muita peça, de muita coisa, primeiro você tem o problema de como tornar aquilo tudo visível. Aquilo que não vemos acabamos não usando. Depois tem o problema do desperdício, o dinheiro poderia ter sido revertido em algo mais interessante, como em um projeto de vida (casa, faculdade, viagem). Não interessa se você está numa situação financeira que te permita desperdiçar. Desperdício, especialmente quando fruto de esbanjamento, é algo de mau gosto, cafona, e, diante de um mundo com tanta gente com tão pouco, é também algo imoral.


Quando você compra algo com seu estilo aquilo combinará facilmente com o que você já tem, pois estará dentro da mesma proposta e dentro da mesma paleta de cores. Quando você conhece seu estilo você compra menos pois adquire peças que realmente está precisando, ou porque não tem ou para repor aquilo que acabou. Quando você tem intimidade com seus gostos e sua beleza natural você sabe que aquela roupa linda da vitrine não combina com seu tipo de corpo, ou a cor dele não te valoriza. Ou você já tem algo muito parecido em casa que já oferece o mesmo efeito. Elaborei algumas perguntas neste sentido para você se fazer quando for comprar algo:
  • Eu preciso disso?
  • Isso combina com meu estilo e as peças que já tenho em casa?
  • Eu já tenho algo parecido em casa que recria o mesmo efeito?
  • O material é bom e isso vai durar o suficiente para valer a pena comprar?
  • O preço está justo? Eu usarei isso com uma frequência que compensará a compra?
  • O tamanho está correto em mim e com o caimento perfeito? Ou é facilmente ajustável numa costureira e estou disposto a fazer isso?
  • A cor combina comigo e é uma cor que eu uso de verdade?
  • Comprar este item, neste momento, não vai me prejudicar economicamente? Será que devo esperar?
Se a compra sobreviver a todas as perguntas, pode chegar nela!
Eu ainda estou desenvolvendo meu estilo, mas já percorri parte do caminho. Certos modelos de roupas e cores eu nem experimento, o que me poupa tempo e dinheiro. É um exercício de auto conhecimento que leva tempo mesmo, até porque nosso estilo também é desenvolvido conforme a nossa fase da vida. Os "visús do dia" no blog são fruto das minhas experimentações, onde às vezes experimento pela primeira vez certas combinações.  Desenvolver um estilo é um processo, algo que adquirimos através do hábito, como em tantas outras áreas na vida. Bom fim de semana para você que chegou até o final do (longo,imenso,descomunal) texto de hoje!

domingo, 4 de agosto de 2013

Preto é básico... será?

 Roupas pretas podem possuir inúmeros significados, podem transmitir poder, ousadia, elegância, sobriedade, luto, humildade. O contexto e o modelo da roupa ajudam a determinar o significado do preto, mas o ponto comum  a todas as peças pretas é que não são peças discretas. Preto trás ao conjunto do visual um alto grau de contraste e  não são todas as pessoas que naturalmente harmonizam com ele.
Audrey Hepburn maravilhosa de preto!
mostrei aqui, de maneira introdutória, as paletas para os vários tipos de pele seguindo o sistema de Carole Jackson que é organizado pelas estações. O preto só está presente na paleta das pessoas cuja pele é caracterizada como "inverno". São pessoas cujo subtom da pele é predominantemente frio e que possuem alto grau de contraste natural. Segundo Carole Jackson inverno é a paleta das estações mais comum entre as pessoas. Existem pessoas caucasianas, asiáticas, negras cuja paleta ideal é a do inverno. São pessoas de sorte, preto é uma cor que não sai de moda e que transmite força.


O que acontece quando pessoas das demais estações usam preto é que elas podem sumir diante da atenção que o preto chama, e quem tem que aparecer é você, não é a sua roupa. A roupa deve ser uma moldura para sua beleza natural, deve ser um instrumento para te valorizar. Recentemente usei preto, mas não consegui deixar o conjunto do visual bonito até acrescentar um batom forte que resgatasse o foco da atenção para meu rosto. Isso era algo que eu já percebia intuitivamente mesmo antes de ler a respeito da análise de cores. Sempre acontecia de usar um batom forte junto do preto, sem o qual me sentia com cara de defunto. Assim:


Repito o que já disse aqui. Eu sei que ficou difícil saber quem é quem, mas a da esquerda é alguém sem vida, e a da direta é a Morte do filme "Sétimo Selo". Reparem como o preto "drena" minhas cores e me deixa pálida. Pessoas com o subtom amarelado perdem mais intensamente as cores que conferem o ar saudável quando na presença da roupa preta. Somado ao efeito visual do preto está seu significado de luto e seriedade que pode conferir um ar pesado e sério à fisionomia.


Preto é a cor do luto na Europa Ocidental, enquanto que em países do Oriente a cor relacionada ao luto é o branco. No Japão preto significa experiência enquanto que o branco simboliza ingenuidade. Por esta razão a faixa preta nas artes marciais é um sinal de realização e experiência, enquanto que a faixa branca é reservada para os iniciantes.  Por outro lado, na Europa preto também simboliza humildade e vida eterna, por esta razão é uma cor presente nas ordens religiosas cristãs. A morte é vista como uma "grande noite" e com a vida eterna, daí a razão para tantos padres e freiras usarem perto como sinal de renúncia aos prazeres mundanos. Ao mesmo tempo preto também era considerado uma cor elegante e estava presente nas roupas de luxo. Até a Primeira Guerra Mundial era comum pessoas com menos recursos se casarem de preto pois elas usavam a sua melhor roupa, sendo que frequentemente a melhor roupa que a pessoa possuía era em preto. Na Inglaterra Vitoriana preto era uma cor muito presente na moda possivelmente por influência da rainha, que após a morte do marido usou preto como sinal de luto até o fim da vida. Os puritanos ingleses no século dezessete usavam roupas pretas como sinal de austeridade.


Preto não é uma cor neutra. Na verdade é até difícil designar preto como sendo uma cor. Isaac Newton foi o primeiro a observar que a luz branca quando passa por um prisma (uma peça de vidro, ou gotículas de água como acontece no arco íris) se decompõe em setes cores visíveis aos nossos olhos. O branco é composto pela soma dessas cores, uma peça azul reflete azul, uma peça rosa reflete azul e vermelho, que são as cores que compõem o rosa. O preto absorve todas as cores e não reflete nenhuma, então pelo critério da física de se refletir cor ele sequer é uma cor. Por esta razão uma blusa preta esquenta mais que uma blusa branca, se você pretende usar uma roupa fresca e veranil é melhor optar pelo branco pois ela irá refletir a luz solar ao invés de absolvê-la.  Entretanto qualquer pessoa que já tenha brincado com tintas deve se lembrar que ao misturar vários pigmentos se atinge uma cor bem próxima do preto, o que deixa a questão ainda mais anti intuitiva. Chamamos preto de cor no dia a dia, então me parece que para fins práticos e triviais podemos sim chamar preto de cor. A discussão se preto é ou não cor pertence a alguns escopos, porém não está presente numa reflexão sobre quais cores harmonizam ou não com a pele. Ninguém chega numa loja de roupas e tem o seguinte diálogo: "Eu queria um vestido " "Temos de várias cores, qual você deseja?" "Ah, eu não quero um vestido com cor, quero em preto". No dia a dia chamamos esta "não-cor" de preto porque não estamos refletindo sobre a natureza do preto, mas sim tratando do preto que está presente na nossa percepção e linguagem. Percebemos ao preto da mesma forma que percebemos cores, e chamamos ele de preto. Dado que preto é uma cor tão polêmica, não apenas nas suas mensagens e significados, me pareceu  pertinente esta pequena digressão sobre o que é o preto.


Respondendo à pergunta do título: será que preto é básico? Sim e não. Na verdade mais "não" que "sim. Preto pode ser uma cor básica, no sentido de estar na base do seu guarda roupa, conforme a sua necessidade estética ou profissional,  ou etc. Sob este aspecto a resposta é sim, como poderia ser com qualquer outra cor, e como frequentemente é com o branco para as pessoas da área de saúde. Preto é uma cor essencial para quem possui estilo dramático. Preto ajuda a transmitir nas roupas uma ideologia ou jeito de ser, como no caso dos góticos e de tantos outros.


 Mas abstraindo-se do caso de uma necessidade, seja ela qual for, um guarda roupa baseado no preto, ou que gire em torno desta cor pode ser bastante tedioso.  E, se a sua intenção é usar roupas que te valorizem, possuir um guarda roupa voltado para o preto se torna ainda mais problemático porque existe a possibilidade de que o preto não esteja na sua paleta, e que ao usá-lo você não esteja conseguindo se valorizar como deseja. 


Eu sei que preto é uma zona de conforto "fashion" por assim dizer. Preto é atemporal. Esta blogueira aqui só usa preto e é inegavelmente linda e estilosa. Também é dito que preto emagrece. Eu mesma já usei muito preto, por várias razões, inclusive com a intenção de parecer mais magra. O que percebi com a minha longa experiência de alguém fora dos padrões e que jamais usou roupa tamanho 38 é que o que "emagrece" é uma roupa no tamanho adequado e com bom corte. Uma roupa preta num tamanho menor que o seu, por exemplo, não vai fazer nada por você, vai realçar tudo o que você quer esconder. Por outro lado, uma roupa no seu tamanho, com bom caimento, e com um corte que realce o que você tem de melhor e disfarce seus pontos mais sensíveis te deixará visualmente mais magra e elegante.


A mensagem que o preto transmite é de fato tentadora: elegância, seriedade e auto confiança. A minha resposta para isso é que são conceitos,  portanto é possível transmitir elegância, seriedade e poder com cores mais amigas, se preto não for sua cor. Existem maneiras de usar o preto mesmo quando  a sua paleta não se é a do inverno, mas uma outra saída é escolher uma cor perto do preto mas que não seja preto. Marinho, café e grafite são substitutos incríveis para o preto, e que juntos de um corte de roupa adequado podem também transmitir seriedade e auto confiança, só que desta vez combinados com a sua beleza natural. Assim você pode conseguir transmitir a imagem de elegância que o preto confere porém com uma cor que harmonizará melhor com a sua pele, para você não ficar com a fisionomia pálida e sóbria se a sua intenção não for esta.

 Aqui algumas opções, coloquei o preto no meio do gradiente para comparação:

Opções quentes ao preto

Opções frias ao preto
 Acredito que a ideia de que  o preto confere sempre elegância é um noção que precisa ser desconstruída. Elegância é uma ideia, não é uma relação automática com algo material como o preto. Vou dar o exemplo do nude. A cor nude não existe, e não importa que fabricantes de roupas e cosméticos batizem seus produtos de nude. Isso é um uso artificial do conceito nude, porque o nude não é uma cor mas sim um conceito, é um "espírito da coisa". Uma cor que seja nude em mim obviamente não será nude em mulher de pele negra. Nude é como chamamos aquela cor que se mescla à tonalidade natural da pele daquela pessoa específica, portanto nude varia de indivíduo para indivíduo. Assim como acontece com o nude, existem parâmetros para se determinar o que é elegante. Mas acredito que existem dois aspectos essênciais da elegância: harmonia e adequação. Pessoas consideradas elegantes usam cores e cortes que estão em harmonia com seu biotipo e que estão adequadas à circunstância (ex: usar roupa de gala em um lugar em que se espere isso). O preto, como se pode perceber, não é uma cor que fará todo mundo elegante. O seu preto básico pode não ser preto, você pode descobrir que seu preto básico é outra cor, como as opções que dei mais acima. Mas isso é algo que se descobre praticando o auto conhecimento, observando se a sua pele harmoniza com o preto ou não, e se o preto transmite a mensagem que você deseja, ou não. Afinal, não é para isso que servem as roupas e acessórios?


Atualização: mudei um pouco os gradientes porque algumas pessoas relataram problemas para abri-los, também mudei o formato do arquivo. Uma vez que precisei aumentar o contraste as cores ficaram menos parecidas com o preto, mas acredito que dá para ter uma ideia do que estou sugerindo no texto. Aqui:

Opções frias ao preto

Opções frias ao preto

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Mostranto paletas de cores quentes e frias com gatos!

Em 1980 Carole Jackson escreveu o livro "Color me Beautiful" onde ela expõe suas ideias sobre "análise de cores". É um livro muito interessante para quem quer aprender mais sobre a teoria de combinar cores quentes e frias conforme o subtom da pele, e você pode adquiri-lo gratuitamente aqui (dá para baixar em pdf ou até mesmo ler online). Já contei aqui como a minha relação com as cores mudou, e aqui mostrei através de echarpes coloridas como algumas cores harmonizam bem com minha pele e outras não. Hoje quero mostrar mais algumas noções sobre harmonização usando fotos dos meus gatos. Pretendo expor algumas noções que, espero, sirvam como guia para você descobrir suas cores. Com gatos porque com gatos tudo (ou quase tudo) é melhor! Rá!


Já mostrei o Lugh no post sobre cores neutras aqui. Podemos observar que o Lugh não possui um alto contraste natural pois suas cores escuras não se distinguem fortemente das mais claras.


A passagem das cores na sua pelagem é suave, e até mesmo a relação dos olhos do Lugh com seus pelos também transmite suavidade. Seu subtom é predominantemente frio, seu pelo vai do "off white" ao cinza quase taupe , e sua pelagem se harmoniza maravilhosamente com seus olhos azuis claros acinzentados. Se eu fosse categorizar o Lugh no sistema das estações diria que ele é verão, e sua paleta seria a mais delicada das quatro:



Uma vez que o Lugh possui um esquema de cores que naturalmente não possui muito contraste ele precisa de cores suaves para ser valorizado pois na presença de cores fortes ele corre o risco de ficar em segundo plano. Em outras palavras: quem tem o esquema de cores em tons suaves corre o risco de não aparecer perto de peças vibrantes, e isso é errado. Quem tem que aparecer é você, não sua roupa, os ornamentos devem servir de moldura para sua beleza.



A Supernova é uma gatinha preta extremamente inteligente e carinhosa. Observem como ela se destaca na foto e como ela rouba a atenção do Lugh. Ela é altamente contrastante com tudo ao seu redor, chegando ao cúmulo de ser possível achá-la no escuro porque o preto dela é tão preto que se destaca. Preto é considerado uma cor fria. No sistema de Carole Jackson a única estação que possui o preto é o inverno, o que não deixa  dúvidas sobre qual estação seria a Supernova. Ela combina com cores frias, assim como o Lugh, mas ao contrário dele que precisa de cores suaves  e com menos saturação para se valorizar, Supernova fica maravilhosa com cores bem vibrantes e alertas. Cores suaves desvalorizam a Supernova, podem deixá-la sem graça, apagada. Sua paleta seria esta abaixo, reparem que não há meio termo: ou as cores são bem fortes e vibrantes ou são claríssimas (a última fileira mal aparece).



Frida é uma gatinha laranja com olhos verdes brilhantes. Embora seu pelo seja em alguns pontos um laranja vibrante, e seus olhos de um verde intenso, ela não possui muito contraste natural. As cores da sua pelagem não contrastam muito com os olhos, e a Frida possui claramente tons quentes na sua composição.

Por possuir um esquema de cores quentes e pouco contraste, Frida pode ser considerada "Primavera". Sua paleta seria a mais alegre e viva, aquela com mais cores. Na paleta da Frida temos cores suaves e vibrantes, mas sempre claras, ela ficaria sóbria demais com cores escuras. Além disso tais cores escuras poderiam desviar a atenção da Frida ao invés de valorizá-la. Pessoas com pouco contraste e subtom amarelado devem tomar cuidado com cores escuras pois correm o risco de passar uma sobriedade não intencional ao seu conjunto, como vimos com o azul escuro, e podem transmitir uma imagem autoritária. Por outro lado pode ser que seja o caso justamente de enviar esta mensagem ao mundo, pense a respeito. Roupas, e portanto suas cores, são maneiras de dizer ao mundo quem você é sem precisar dizer qualquer palavra.


Manolo é um gato siamês e portanto possui imenso contraste entre as cores das patas, orelhas, focinho, rabo e o resto do corpo. Seu pelo é mais amarelado que o do Lugh, embora não seja tão quente como a pelagem da Frida.  Já que Manolo tem uma pelagem mais quente e com alto grau de contraste penso que sua paleta seria a do Outono.


Sua paleta não tem muitos tons de azuis,  para quem tem cores quentes os azuis ideias são o Royal e o Turquesa pois são tons que possuem um pouco de amarelo na sua composição. Quem possui cores quentes precisa tomar cuidado com as cores frias, como roxos e liláses, sob o risco de ficarem com o amarelo da pele (ou pelo) realçados, o que certamente não dá um ar de saúde. Assim como Manolo que tem os olhos azuis, muitas vezes o tom da pele não indica a mesma estação que o pelo/pele e olhos. Como a pele aparece bem mais que os olhos vale mais usar aquilo que se harmoniza com o que tem mais destaque, que é a pele. Eu, por exemplo, possuo a pele com subtom azulado, meu conjunto é suave e minha estação é o verão. Porém meus olhos possuem tons quentes perto da íris, e se eles fossem levados em consideração eu poderia ser caracterizada como primavera, e como já vimos aqui seria um diagnóstico falho dado que claramente cores quentes não me valorizam.

"Estou bem de azul?"
A paleta outonal é composta por cores com mais amarelo na sua composição, seu vermelho, por exemplo, tende mais para o malagueta que para o cereja. Cores como khaki, oliva, castanhos e marrons, dourados valorizam imensamente quem tem o subtom amarelado. Sua cores são sensivelmente mais escuras que as da Frida, mas sem chegar no preto. Observem que mesmo as partes mais escuras do Manolo são de um castanho bem café, que chegam perto do preto mas sem abandonar completamente o castanho. Pessoas cuja paleta é a mesma do Manolo são assim também, embora muitas vezes o cabelo até pareça preto ainda resta um fundo castanho o suficiente para o cabelo não ser considerado preto azulado. Mas como já disse antes, mesmo que o cabelo fosse preto azulado, a prioridade para avaliar se suas cores são quentes ou frias deve ser considerar a pele. Cabelos podem ser tonalizados, e olhos não aparecem tanto de longe, mas a pele é aquilo que mais expomos em nosso visual e que não podemos mudar.


Ainda não me decidi sobre minhas gatas tricolores. Atena embora possua preto e branco na pelagem ela tem um laranja bem vibrante na pelagem e olhos verdes amarelados. Ela claramente é valorizada por cores quentes. 



Outro exemplo de caso limítrofe é a Jade. Ela é uma "escama de tartaruga", ou seja, seu pelo é predominantemente preto mas com manchas laranjas e brancas rajadas na pelagem. Seus olhos são mais azulados que os da Atena, e seu conjunto tende mais para o frio que para o quente, portanto eu caracterizo a Jade como inverno, assim como a Supernova.




Acho que quando se possui tanto elementos quentes quanto frios nas cores naturais o teste dos lenços coloridos indica melhor que a avaliação isolada do subtom da pele.  Procure observar quais cores te ajudam a ter aparência saudável e rejuvenescida, com quais cores você se sente melhor, com quais cores e tons você recebe mais elogios, quando tem menos necessidade de maquiagem(se usar maquiagem) e peça também a opinião de terceiros.
 
Boa semana para todos!


quarta-feira, 24 de julho de 2013

AZUL: uma cor repleta de história


Os nomes das cores estão entre as primeiras informações que aprendemos quando crianças. Bebês demonstram fascinação desde cedo pela cor vermelha. Os pais utilizam os significados das cores para dizer ao mundo o sexo do seu bebê, sendo que a relação da cor azul ao bebê do sexo masculino e da cor rosa com o bebê do sexo feminino é um fato bem recente na história do mundo ocidental. Até o começo do século XX rosa era a cor dos meninos pois representava um tom de vermelho, esta sim considerada a cor da virilidade e dos heróis. Azul por outro lado estava associado à Nossa Senhora, ao azul celestial, era considerado uma cor feminina.  Como é possível perceber, o significado das cores recebeu conteúdos diferentes ao longo da história.


Pode acontecer algo ainda mais radical, em algumas culturas sequer há um termo para designar a cor azul. Algumas tribos africanas possuem vários termos para diferenciar aquilo que para os olhos ocidentais seriam apenas tons de marrom esverdeado.  Por outro lado, em testes foi possível constatar que não apenas eles não possuem nome para azul, como sequer conseguem distinguir entre certos tons de verdes e azuis, algo que qualquer ocidental urbano diferencia com facilidade.  Dessa forma fica claro que a cultura participa do nosso entendimento das cores em um nível linguístico (no termos que designam as cores) e no nível perceptível (nas culturas em que certa cor não recebe atenção os indivíduos sequer conseguem apontá-las). O céu não é chamado de azul em todas as culturas...


Nem todas as espécies de animais vêem o azul, cachorros e gatos por exemplo não enxergam o azul. Entre os humanos alguns tipos de daltônicos também são incapazes de enxergar o azul. A introdução de um palavra para designar a cor azul é recente na história da linguagem humana, alguns estudiosos já observaram que a cor azul foi a última a ser introduzida em todas as línguas. Não há, por exemplo, nenhuma referência à cor azul na Ilíada ou na Odisséia de Homero. E se retrocedermos, não há igualmente, qualquer pintura rupestre com o pigmento azul.


 O primeiro pigmento azul era extraído da pedra semi preciosa lapis lazuli. Os egípcios foram os primeiros a misturar outros pigmentos à esse lapis lazuli e a obter a cor turquesa. A extração do pigmento azul permaneceu cara até o começo da era industrial, por essa razão o azul é uma cor associada à nobreza, como o roxo.
 
Luís XIV, símbolo do absolutismo. O azul com a flor-de-lis representava a monarquia francesa.

 Em algumas línguas uma mesma palavra designa ambos azul e  verde, como no coreano por exemplo. Por outro lado o idioma russo possui duas palavras para azul: голубой (goluboi)  que é um azul claro, e синий (sinii) que é um azul escuro, e parece que os russos sequer pensam nos dois tons como sendo a mesma cor.


No sul dos Estados Unidos há uma tradição de se pintar a fachada da casa de azul em tons próximos do “acqua”. A origem deste costume está na ideia herdada pelos escravos que vieram de Angola que acreditavam que espíritos que se encontravam presos neste mundo não podiam atravessar água, e que estes espíritos ficariam confusos com as casas pintadas nestas cores e portanto não entrariam. Outro exemplo de historicidade de um tom de azul é com o azul escuro, que era a cor dos uniformes alemães . O azul escuro permanece até hoje simbolizando autoridade, é com frequência escolhido para ser a cor dos uniformes policiais, por exemplo. É por esta razão que a Organização das Nações Unidas evita utilizar especificamente este tom de azul para tropas cuja missão é pacífica.


Pessoas cujo subtom da pele é azulado ficam maravilhosas com todos os tons de azul, como mostro aqui. Pessoas cujo subtom é amarelado precisam prestar mais atenção no tom de azul, se o objetivo for harmonizar com a pele. Tons de azul que possuem um pouco de amarelo, e que portanto pareçam levemente esverdeados, como o turquesa e o teal, são os mais indicados para pessoas com a pele quente, amarelada.


  Na maquiagem o azul  está presente nas sombras, e combinam muito bem com batons em tons neutros. A sombra azul pode combinar com um batom vermelho também, porém exige um cuidado maior para não pesar. E mesmo como sombra ele pede cuidado, o visual Cleópatra geralmente só combina com carnaval. Acredito que a sombra azul, especialmente em tons como o cobalto ou royal, realçam lindamente os olhos castanhos.



Existem azuis para todos os tipos de pessoa. Qual é o seu favorito?

segunda-feira, 22 de julho de 2013

CONTRASTE NATURAL EM VÁRIOS TONS DE PELE!

Já falei aqui sobre contraste e hoje explorarei mais um pouco o tema. Há quase uma semana uma amiga, que viu uma foto minha em que eu usava um casaco cinza com um cachecol igualmente cinza mas de outro tom, me disse que embora achasse muito elegante o uso de cores neutras ela não se sentia a vontade para usar roupas assim. A razão que ela deu foi que ela se sentia toda de uma cor só quando usava cores muito claras. Sua pele é bem branca e clara e cabelos e olhos castanhos escuros. Pensei muito na resposta para o problema, e não acho que o sentimento dessa amiga fosse causado pela sua pele clara. Acredito que a origem de seu desconforto está mais na relação entre cor da pele versus cabelo e olhos. Como expliquei no texto anterior sobre contraste, pessoas que apresentam contraste maior entre pele e cabelo ficam mais valorizadas com o uso de cores vibrantes e intensas. Por outro lado pessoas cujo o grau de contraste entre pele, cabelo, e olhos é menor são mais valorizadas por cores suaves e esmaecidas. Possivelmente minha amiga se sentiria mais valorizada se escolhesse neutros mais escuros e intensos. Dou vários exemplos de neutros neste texto.  Além das opções claras e escuras, qualquer cor pode ter a sua versão mais vibrante ou mais suave. Fiz dois gradientes para evidenciar estas diferenças entre tons vibrantes e suaves. Alterei apenas o grau de saturação entre um lado e outro. Observem como o lado direito rouba mais a nossa atenção que o lado esquerdo.



Minha intenção não é apresentar aqui uma regra fixa, como o nome do blog aponta, lindo é ser feliz e isso se pode ser de várias formas. Mas se você tem uma preocupação em usar a roupa para se destacar é interessante coordenar , além da cor da roupa com o subtom da sua pele, o grau de saturação da roupa com seu contraste natural. Naturalmente peles mais escuras harmonizarão melhor com cores mais escuras porém esmaecidas. Pessoas com alto grau de contraste natural resplandecem quando usam cores brilhantes, e tais pessoas podem ter a pele bem clara, média, ou negra. Observem as irmãs Knowles, Beyoncé é suave enquanto sua irmã Solange é contrastante:


 Embora possuam o mesma cor de pele com o tom parecidíssimo, o os olhos de Solange são mais escuros e, principalmente, seu cabelo é bem mais escuro que sua pele criando um contraste muito maior que aquele percebido em Beyoncé. Separei mais fotos de celebridades para mostrar que existem  pessoas suaves e outras com alto contraste de todas as etnias. Observem os claros e escuros das fotos e notem como nas pessoas com mais contraste há uma distância maior entre os tons claros e os escuros.

Aishwarya Rai e Freida Pinto
Iman Abdulmajid e Alek Wek
Lily Cole e Julianne Moore
Devon Aoki e Lucy liu
Naomi Watts e Liv Tyler:
Jessica Alba e Anne Hathaway
Assim como acontece com o nosso subtom da pele, muitas vezes já sabemos intuitivamente se nosso contraste natural é baixo ou alto. Outras vezes não percebemos muito bem esta relação porque nosso contraste natural não corresponde à nossa auto imagem.  Se tratando da imagem que temos de nós e da imagem que queremos projetar ao mundo é necessário observar onde nos encontramos, quais roupas ajudarão a transmitir a mensagem que intencionamos e que ao mesmo tempo em que nos valorizarão. Possuir sensibilidade para fazer este exercício é algo precioso e também acessível a qualquer um que se dispuser.