quarta-feira, 24 de julho de 2013

AZUL: uma cor repleta de história


Os nomes das cores estão entre as primeiras informações que aprendemos quando crianças. Bebês demonstram fascinação desde cedo pela cor vermelha. Os pais utilizam os significados das cores para dizer ao mundo o sexo do seu bebê, sendo que a relação da cor azul ao bebê do sexo masculino e da cor rosa com o bebê do sexo feminino é um fato bem recente na história do mundo ocidental. Até o começo do século XX rosa era a cor dos meninos pois representava um tom de vermelho, esta sim considerada a cor da virilidade e dos heróis. Azul por outro lado estava associado à Nossa Senhora, ao azul celestial, era considerado uma cor feminina.  Como é possível perceber, o significado das cores recebeu conteúdos diferentes ao longo da história.


Pode acontecer algo ainda mais radical, em algumas culturas sequer há um termo para designar a cor azul. Algumas tribos africanas possuem vários termos para diferenciar aquilo que para os olhos ocidentais seriam apenas tons de marrom esverdeado.  Por outro lado, em testes foi possível constatar que não apenas eles não possuem nome para azul, como sequer conseguem distinguir entre certos tons de verdes e azuis, algo que qualquer ocidental urbano diferencia com facilidade.  Dessa forma fica claro que a cultura participa do nosso entendimento das cores em um nível linguístico (no termos que designam as cores) e no nível perceptível (nas culturas em que certa cor não recebe atenção os indivíduos sequer conseguem apontá-las). O céu não é chamado de azul em todas as culturas...


Nem todas as espécies de animais vêem o azul, cachorros e gatos por exemplo não enxergam o azul. Entre os humanos alguns tipos de daltônicos também são incapazes de enxergar o azul. A introdução de um palavra para designar a cor azul é recente na história da linguagem humana, alguns estudiosos já observaram que a cor azul foi a última a ser introduzida em todas as línguas. Não há, por exemplo, nenhuma referência à cor azul na Ilíada ou na Odisséia de Homero. E se retrocedermos, não há igualmente, qualquer pintura rupestre com o pigmento azul.


 O primeiro pigmento azul era extraído da pedra semi preciosa lapis lazuli. Os egípcios foram os primeiros a misturar outros pigmentos à esse lapis lazuli e a obter a cor turquesa. A extração do pigmento azul permaneceu cara até o começo da era industrial, por essa razão o azul é uma cor associada à nobreza, como o roxo.
 
Luís XIV, símbolo do absolutismo. O azul com a flor-de-lis representava a monarquia francesa.

 Em algumas línguas uma mesma palavra designa ambos azul e  verde, como no coreano por exemplo. Por outro lado o idioma russo possui duas palavras para azul: голубой (goluboi)  que é um azul claro, e синий (sinii) que é um azul escuro, e parece que os russos sequer pensam nos dois tons como sendo a mesma cor.


No sul dos Estados Unidos há uma tradição de se pintar a fachada da casa de azul em tons próximos do “acqua”. A origem deste costume está na ideia herdada pelos escravos que vieram de Angola que acreditavam que espíritos que se encontravam presos neste mundo não podiam atravessar água, e que estes espíritos ficariam confusos com as casas pintadas nestas cores e portanto não entrariam. Outro exemplo de historicidade de um tom de azul é com o azul escuro, que era a cor dos uniformes alemães . O azul escuro permanece até hoje simbolizando autoridade, é com frequência escolhido para ser a cor dos uniformes policiais, por exemplo. É por esta razão que a Organização das Nações Unidas evita utilizar especificamente este tom de azul para tropas cuja missão é pacífica.


Pessoas cujo subtom da pele é azulado ficam maravilhosas com todos os tons de azul, como mostro aqui. Pessoas cujo subtom é amarelado precisam prestar mais atenção no tom de azul, se o objetivo for harmonizar com a pele. Tons de azul que possuem um pouco de amarelo, e que portanto pareçam levemente esverdeados, como o turquesa e o teal, são os mais indicados para pessoas com a pele quente, amarelada.


  Na maquiagem o azul  está presente nas sombras, e combinam muito bem com batons em tons neutros. A sombra azul pode combinar com um batom vermelho também, porém exige um cuidado maior para não pesar. E mesmo como sombra ele pede cuidado, o visual Cleópatra geralmente só combina com carnaval. Acredito que a sombra azul, especialmente em tons como o cobalto ou royal, realçam lindamente os olhos castanhos.



Existem azuis para todos os tipos de pessoa. Qual é o seu favorito?

8 comentários:

  1. Gente, quanta coisa eu não sabia sobre a cor azul! Muito bacana esse post Barbara!

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    1. Camila, eu precise selecionar e sintetizar porque o azul tem MUITA história!
      Obrigada!
      Bjo

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  2. Que post fascinante,não imaginava que a história da cor azul é tão rica!!
    Vou mostrar este texto para minha irmã,pois,ela é fascinada pelos tons de azul e vai adorar saber mais.
    Eu tb gosto de azul,lembro me que quando criança era fascinada pelo lápis de cor verde água (se não estou enganada,essa cor é uma mistura de amarelo com + azul),acho que já era minha pele amarela "dando a dica",haha,bjs e parabéns pelo post.

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    1. Ei Renata, como eu disse para a Camila, eu ainda precisei selecionar! Quem sabe futuramente conto mais curiosidades sobre o azul...
      Eu tb adorava verde agua! É um turquesa um tico mais amarelado, e sim, provavelmente seu instinto já te mostrando seus azuis!
      Obrigada, beijos!

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  3. adorei o post, Bárbara, quanta informação interessante! E a maioria é totalmente novidade para mim ;-)

    Não sou muito fã de azul, não sei por quê!

    bjs

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    1. Obrigada Georgia!
      Às vezes azul não é uma cor que harmoniza com sua pele, percebemos instintivamente aquelas cores que nos valorizam. Conheço tanto pessoas que amam azul quanto aquelas que não percebem a menor graça na cor. Eu passei a gostar mais de azul quando percebi que é uma cor com a qual fico muito bem.
      Bjo!

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  4. Barbara essa é a minha cor favorita! Adoro o azul marinho (mate para sombras, que uso no lugar do preto), azul royal e os clarinhos como o acqua (que uso sem problemas nos olhos). Sabia um pouco da história, mas amei este post!

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    1. Que interessante Marcia, nunca tinha pensado em usar sombra azul marinho mate no lugar do preto, agora quero testar!
      Obrigada, que bom que gostou!
      Beijo!

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